[Ritmos e visões, de José Gil, é precisamente uma compilação de quatro ensaios em que se analisa, numa perspetiva crítico-filosófica, a obra de Fernando Pessoa. Como corpus de análise, o autor elegeu O livro do desassossego de Bernardo Soares, dois poemas de Fernando Pessoa – “A múmia” e “Ode marítima” – assim como artigos publicados na revista A Águia. Pontualmente são mencionadas outras obras como Fausto, Mensagem, Átrio, O caminho da serpente, com o intuito de contextualizar, clarificar ou corroborar afirmações. O livro parece disperso, mas há, como veremos, uma unidade que faz desses ensaios capítulos de uma reflexão encadeada.]
No átrio do Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, detendo-se diante de uma escultura de Rodin, manifestou o seu fascínio, falando mesmo de um “milagre” – o milagre da criação artística, o milagre que é podermos apreciar uma obra de arte… Perguntámos a Eduardo Lourenço se acreditava em milagres –